... pois uma vez sonhei com uma variante do bairro em que eu morava antes. Lá tem uma fazendo do lado do bairro assim, mas em meu sonho ela era maior e mais bonita e tal, e o dono era um tiozão chato bagarai, que se achava o cara mais legal do mundo: era meu alto, grisalho, barrigudo, falava alto, uma versão interiorana do Marlon Brando gordo. A fazenda ficava num lugar privilegiado pelo pôr-do-sol, à esquerda, por detrás de uma pequena pequena colina. Havia um carvalho enorme e um Ipê amarelo gigantesco também. A fazendo fica a direita, na parte baixa e plana do vale, com outra colina por detrás dela.
Anyway.. no outro sonho eu tinha essa prima - que não existe - e ela era amiga da filha do fazendeiro que tinha sumido. Resumo: sabíamos que a moça tinha sido morta por um dos dois irmãos e que o véio tava escondendo. Sabíamos também que o corpo da mina estava escondido na fazendo, mas "Sem corpo não há crime" como diz a cultura CSI. Enfim, no primeiro sonho não conseguimos resolver nada.
Hoje sonhei com esse tio de novo e essa prima... E estávamos num 'evento de bairro' falando sobre uma feira que ia rolar e esse djow que organizava e tal.
Por algum motivo, resolvi jogar um verde e perguntar sobre o festival, por que ele não aguentaria de vaidade, ia querer me contar, dai eu perguntaria sobre as coisas que ele planta e que teriam na feira e mais uma vez, todo vaidoso, ele ia querer me mostrar a linda plantação dele e então, teríamos a chance de andar pela fazendo e talvez achar uma pista da Maria.
Dito e feito! Joguei o verde, o véio comprou e tocamos pra fazenda ver as 'verdura' dele enquanto ele tagarelava todo vaidoso.
Andando pelas hortas encontramos um nicho, e nesse nicho havia várias caixas térmicas e, eu e a prima, lembrávamos de na época do crime, ter visto uma caixa térmica com sangue. A Prima Sem Nome ficou ansiosa e começou a abrir as caixas, procurando pistas enquanto o véio ficou travado, olhando a verdade aparecer e o fim do segredo que guardava na plantação. Deixei ela procurar, pois percebi que ela precisava resolver aquilo. Ela achou uma caixa maior de isopor e percebeu que o fundo estava emendado. Olhou para mim e retribui o olhar de 'achamos', triste. ela retirou as fitas adesivas que colavam a parte e quando tirou o fundo, lá estava o corpo fatiado da Maria, conservado, como só um sonho proporcionaria. O corpo morto e fatiado dela - cortado ao meio, em duas fatias, da cabeça aos pés - olhou para nós e disse: Eles me mataram, meus irmãos. E ele escondeu... Dizendo sobre o pai.
Minha prima ficou nervosa com a descoberta e saiu correndo, chorando. O Velho abaixou a cabeça, entregue, sem dizer uma palavra, perplexo com a atrocidade da própria ação. Os filhos, esses me olhavam como lobos e senti que precisava sair dali ou eu seria a próxima a virar presunto no fundo de uma caixa de isopor. Fiquei um tempo encarando eles, parada, como a presa que traça a rota de fuga e, de repente, irrompi na corrida para fora da fazendo, com o mais novo ao meu encalço. Corri, corri, pulando horta, pulando barril, quebrando cerca, jogando coisa pra atrás que pudessem atrasá-lo e ele perto o suficiente pra eu ouvir sua respiração cansada. Corri, corri... e consegui sair da fazenda. Parei achando que ele desistiria e qual meu susto quando olhei para trás ele estava quase chegando, não tinha parado. Ali ele ainda poderia me pegar e levar para fazendo que ninguém veria. Estourei na corrida de novo. E não aquela corrida lenta de sonho. Sentia cada músculo do meu corpo e pensei: Afinal, a academia serviu para algo mesmo.
Corri, passando rua por rua, até chegar a um bar de esquina, pois sabia que se chegasse ali, eles estariam acabados. E consegui! Cheguei no bar, parei de correr, olhei para ele parado na rua, olhando para mim com o mesmo olhar ameaçador de lobo, que agora se tornava obsoleto. Olhei para todos em volta e de volta para ele com um olhar que dizia: E agora José?
Acordei, mas não sem antes respirar fundo, recuperando o folego e ver na cara dele a expressão de 'fudeu'....